Cenário reafirma mudança de eixo do financiamento agrícola em direção ao mercado privado

*Por Conteúdo Creditares

Recente reportagem do jornal “Valor Econômico”, assinada por Rafael Walendorff, alerta que embora o Ministério da Agricultura reitere que quer construir um Plano Safra 2021/22 melhor e mais audacioso que o atual – e os produtores torçam por isso -, as limitações orçamentárias indicam, até agora, que as grandes linhas de crédito rural que fazem parte dessa política vão entrar em vigor em 1o de julho com as mesmas limitações observadas nesta temporada 2020/21.

Crédito rural oficial será cada vez mais restrito a atividades de subsistência, com
demais produtores tendo que buscar recursos em fontes de mercado


Ou seja, os juros do crédito rural deverão permanecer no patamar atual, considerado elevado, e recursos com taxas equalizadas tendem a se tornar escassos com o andamento do calendário. Isso prejudica sobretudo pequenos e médios agropecuaristas, mais dependentes dessa fonte para custeio, comercialização e investimentos. “Não temos como garantir que o Plano Safra venha tão bom quanto veio no ano passado, especialmente em termos de taxas de juros”, afirmou Rogério Boueri, subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Economia, ao Valor. Nesta safra 2020/21, os juros variam de 2,75% a 6% ao ano. São R$ 236,6 bilhões em recursos para crédito rural, com R$ 11,5 bilhões do Tesouro Nacional para a equalização dos juros.

Crédito rural

Na opinião de um executivo do sistema financeiro com anos de atuação na formulação de Planos Safra, o cenário sugere que as taxas serão mantidas ou sofram apenas alterações mínimas. “Olhando as contas públicas e vendo o esforço que vai ser feito com o novo auxílio emergencial, não vejo muito espaço para uma redução. Mas, com a Selic baixa, também é muito difícil encontrar uma justificativa política para aumentar as taxas aos produtores, apesar de parecer ser lógico economicamente”, resumiu.

O Ministério da Agricultura e entidades do setor produtivo querem ampliar a cifra da subvenção ao crédito para R$ 15 bilhões na próxima safra. “A possibilidade de aumentar os recursos para equalização é diminuta”, reforçou Boueri. Segundo ele, essa é a análise técnica, baseada nas perspectivas de orçamento em tempos de aperto fscal. Mas o horizonte sempre pode sofrer alterações no âmbito político a partir da articulação entre os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Tereza Cristina, da Agricultura.

Leia a íntegra: Crédito rural: próximo Plano Safra vai esbarrar no ajuste fiscal

>> A agenda do crédito rural está mudando. Quer saber das novas oportunidades de financiamento agrícola? Fale com o time de especialistas da Creditares e tenha acesso a novas fontes de recursos, tornando o seu negócio agro elegível para este novo mercado.

*Quero saber mais sobre o novo crédito rural.

:: Notícias relacionadas:

Crédito rural: Ministério da Agricultura vê como avanço expansão da política de diversificação das fontes de financiamento para o agro


Crédito rural: Demanda do agronegócio é superior ao que é ofertado pelas fontes oficiais, diz CNA


Crédito rural para custeio antecipado beneficia planejamento do produtor

Crédito rural: Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) avançam no custeio da produção


CNA discute prioridades na política agrícola em 2021

Agenda de financiamento do agro é cada vez mais vinculada à captação no mercado privado