Quando a taxa básica dos juros da economia sobe, o custo do dinheiro aumenta, piorando as condições de acesso ao crédito rural

*Por Conteúdo Creditares

Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa básica dos juros da economia, conhecida como Selic, em um ponto percentual, de 4,25% para 5,25%. A escalada dos preços, sobretudo de combustíveis, energia elétrica e alimentos, foi o que levou à autoridade monetária a tomar a decisão em uma tentativa de frear a inflação.

Quando a Selic sobe, o custo do dinheiro fica mais caro [para pessoas, empresas, bancos, governo etc.], dificultando o acesso, por exemplo, a crédito e financiamentos, inclusive agrícola.

O Plano Safra 2021/22 já apresentou taxas de juros, que são subsidiadas pelo Tesouro Nacional, mais altas na comparação com o ciclo anterior. Além disso, o volume de recursos equalizado pelo governo será de apenas R$ 13 bilhões nesta safra.

O montante que não será subvencionado fica, então, sujeito às taxas livres, que com o avanço da Selic se tornam automaticamente mais elevadas. Desta forma, se o banco X terá um custo maior para levantar recursos no mercado, inevitavelmente este custo será repassado ao tomador.

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Crédito rural

Além disso, conforme a Selic aumenta – e esta é a tendência, devido à pressão inflacionária – o governo vê sua condição para subsidiar o crédito rural arrefecer.

“O prejuízo deste cenário fica ainda mais claro, por exemplo, quando observamos que as taxas de juros adotadas para financiamentos de longo prazo já estão sendo precificadas pelos bancos para percentuais acima de 12% ao ano”, diz José Corral, CEO da Creditares. “Ou seja, quem precisa captar recursos de longo prazo, fora dos programas oficias de investimento, com taxas subsidiadas, como, por exemplo, Plano ABC, Moderfrota e outros, precisa se antecipar pois, à medida que a Selic sobe, as taxas destas linhas também aumentarão.”

Este quadro é apenas um recorte, que mostra a transformação da agenda do crédito rural, com diminuição gradual do suporte oficial, o que abre uma janela de oportunidades para que o produtor conheça e contrate novas modalidades de financiamento.

Uma delas, destaca o executivo, é a operação feita em moeda estrangeira. “No mercado privado, temos bancos que levantam recursos em dólar, a taxas mais baratas, e conseguem, com isso, repassar esta melhor condição nos financiamentos para o produtor.” Ressalva-se, apenas, que como o empréstimo será feito em moeda estrangeira, sua quitação terá que ser feita do mesmo modo, considerando a cotação da data de vencimento.

De acordo com o especialista, diante deste quadro recheado de volatilidade e incertezas, que naturalmente impacta câmbio, cotações das commodities, frete, preços dos insumos, entre outras tantas variáveis, o produtor precisa, de fato, começar a organizar o processo de tomada de crédito da mesma maneira como já se acostumou a fazer com outras tarefas, como, por exemplo, a compra de defensivos, fertilizantes, sementes.

“O produtor precisa passar a acompanhar de perto as modalidades de financiamento disponíveis no mercado, planejar como vai estruturar a captação dos recursos e sempre procurar fazer as operações de forma antecipada.”

Segundo José Corral, a competitividade, o retorno, a rentabilidade do negócio não está atrelada somente à relação de troca “preço de venda da produção” versus “gasto com insumos”. “Um preço de venda alto do seu produto muitas vezes encobre uma ineficiência operacional e financeira, inclusive do custo do dinheiro, do financiamento que foi feito. Logo, a gestão minuciosa da tomada de crédito é cada vez mais fator-chave e de relevância para o sucesso da atividade agrícola.”

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